Bodies, Stereotypes, and Reproduction: Black Migrants Experiencing Obstetric Violence and Racism in Portugal
American Anthropologist / The American Anthropologist
Published online on June 24, 2026
Abstract
["American Anthropologist, EarlyView. ", "\nABSTRACT\nThis article explores how the mistreatment of women in health care facilities in Portugal takes on particular forms for Black migrant women, shaped by essentialist ideas about race and miscegenation. In line with academic production on processes of racialization and discrimination against minorities and the medicalization of reproductive processes and biocontrol, this paper focuses on how these phenomena are reflected in the gynecological and obstetric care of Black women of Brazilian and African origin in Portugal. The women interviewed within the authors’ research on the ethnopolitics of citizenship and on obstetric violence speak of discrimination based on their ethno‐racial, national, and migration status, as well as perceived ideas about their sexuality, behavior, and preferences in maternity and childbirth. Afro‐descendant women's interactions with workers of the health and social care sectors in Portugal are often informed by stereotypes about their bodies and their presumed (in)capacities to be good mothers. By focusing on the experiences of Black migrant women and their perceptions of public health and maternal care, this paper builds on previous work by the authors to address the issue of gynecological and obstetric violence in Portugal.\n\nRESUMO\nEste artigo analisa como os maus‐tratos de mulheres em contextos de saúde em Portugal assumem formas particulares no caso das mulheres negras migrantes, moldadas por ideias essencialistas sobre raça e miscigenação. Em diálogo com a produção académica sobre processos de racialização, discriminação de minorias e medicalização da reprodução e do biocontrolo, o texto centra‐se na forma como esses fenómenos se expressam nos cuidados ginecológicos e obstétricos dirigidos a mulheres negras de origem brasileira e africana. As mulheres entrevistadas, no âmbito das pesquisas das autoras sobre etnopolítica da cidadania e violência obstétrica, relatam experiências de discriminação associadas ao seu estatuto étnico‐racial, nacional e migratório, bem como a representações sobre a sua sexualidade, comportamento e preferências no parto e na maternidade. As interações das mulheres afrodescendentes com profissionais dos setores da saúde e do serviço social em Portugal revelam a persistência de estereótipos sobre os seus corpos e sobre as suas supostas (in)capacidades para exercer a maternidade de forma “adequada”. Ao centrar‐se nas experiências e perceções das mulheres negras migrantes relativamente ao sistema público de saúde e aos cuidados maternos, o artigo aprofunda trabalhos anteriores das autoras e contribui para o debate sobre a violência ginecológica e obstétrica em Portugal.\n\nRIASSUNTO\nQuesto articolo analizza come i maltrattamenti subiti dalle donne nei contesti sanitari in Portogallo assumano forme particolare nel caso delle donne nere migranti, plasmate da idee essenzialiste sulla razza e sulla mescolanza. In dialogo con la produzione accademica sui processi di razzializzazione, sulla discriminazione delle minoranze e sulla medicalizzazione della riproduzione e del biopotere, il testo si concentra sul modo in cui tali fenomeni si manifestano nei servizi ginecologici e ostetrici rivolti a donne nere di origine brasiliana e africana. Le donne intervistate, nell'ambito delle ricerche delle autrici sull'etnopolitica della cittadinanza e sulla violenza ostetrica, raccontano esperienze di discriminazione legate al loro status etnico‐razziale, nazionale e migratorio, nonché a rappresentazioni sociali sulla loro sessualità, sul comportamento e sulle preferenze riguardo al parto e alla maternità. Le interazioni delle donne afrodiscendenti con i professionisti dei settori sanitario e sociale in Portogallo rivelano la persistenza di stereotipi sui loro corpi e sulle presunte (in)capacità di essere “buone madri”. Concentrandosi sulle esperienze e sulle percezioni delle donne nere migranti nei confronti del sistema sanitario pubblico e dell'assistenza materna, l'articolo approfondisce lavori precedenti delle autrici e contribuisce al dibattito sulla violenza ginecologica e ostetrica in Portogallo.\n"]